O fim das quotas leiteiras, a alteração à Lei dos Baldios, o desinvestimento nas Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) e a criação de equipas de Sapadores Florestais foram os principais temas abordados no encontro entre o candidato do BE ao Parlamento Europeu e a direção da Associação de Defesa dos Agricultores do Distrito de Braga (ADADB).
O anunciado fim das quotas leiteiras, já no próximo ano, poderá levar ao encerramento de milhares de explorações na bacia leiteira da região, se Portugal não for capaz de negociar a criação de um mecanismo que proteja a produção nacional e evite que os excedentes leiteiros dos países do Norte Europeu invadam o nosso mercado.
A cenário na floresta não é menos animador, com os dirigentes da ADADB a mostrarem-se muito desapontados com a falta de investimento nas Zonas de Intervenção Florestal (ZIF), um mecanismo que previa a agregação de produtores florestais para a gestão coletiva e articulada dessas áreas, e com o bloqueio à criação de equipas de Sapadores Florestais, estando no terreno apenas 230 equipas, a nível nacional, quando estavam previstas serem 500.
Carlos Silva mostrou-se totalmente solidário com as preocupações manifestadas, e afirmou que “a Política Agrícola Comum (PAC), aliada à agenda neoliberal deste governo tem produzido efeitos devastadores para a pequena agricultura e para o desenvolvimento rural do país, pois teima em ignorar o papel determinante que esta tem na coesão social e territorial e na complementaridade de rendimentos que gera, sobretudo nestes tempos de crise”.
O candidato do BE chamou também a atenção para o “clamoroso ataque que este Governo se prepara para fazer aos Baldios, apenas comparável ao que aconteceu no tempo da ditadura, pois a legislação recentemente aprovada abre portas à gestão privada destes terrenos comunitários, historicamente geridos pelas populações e que constituem um importante valor económico e social”.
Ocupando mais de cinco por cento do território nacional, estes terrenos, refere Carlos Silva, “há muito que são alvo da cobiça das grandes empresas da indústria florestal e de celulose, que têm agora o caminho aberto a uma apropriação que o BE considera ser inconstitucional, e contra a qual continuará a bater-se”.