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Projeto do Bloco leva gestão pública do Hospital de Fafe a discussão na Assembleia da República

Na próxima quarta feira vai ser debatido no parlamento o projeto de resolução do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, onde se propõe que o Governo desenvolva as ações necessárias tendentes a assegurar a gestão pública do Hospital de Fafe, seja dotado dos meios financeiros para a efetivação da sua missão, assim como, sejam contratados médicos, enfermeiros e auxiliares necessários para o bom funcionamento daquela unidade de saúde.

"Com a passagem do Hospital de Fafe para a gestão da Santa Casa da Misericórdia de Fafe, o Centro Hospitalar do Alto Ave ficou desarticulado e apenas com uma unidade para a prestação de cuidados de saúde", destaca o deputado do bloco eleito por Braga, Pedro Soares. Esta alteração implicou uma "perda de escala de intervenção no funcionamento do Centro Hospitalar do Alto Ave, com perda de mobilidade entre meios técnicos e de recursos entre ambas as unidades de saúde", acrescenta o deputado do bloco. 

Deste modo, o projeto de resolução que vai ser apresentado pelo grupo parlamentar do Bloco de Esquerda recomenda ao Governo que o Hospital de Fafe permaneça na esfera pública, ao Serviço Nacional de Saúde, sem a gestão da Santa Casa da Misericórdia de Fafe "devolvendo à população de Fafe todo o direito a manter o acesso ao SNS no concelho", frisa Pedro Soares.

"Este projeto de resolução pretende repor o anterior funcionamento do Centro Hospitalar do Alto Ave, constituído pelo Hospital de Guimarães e a unidade hospitalar de Fafe, mantendo ambas as unidades ativas e com a mesma gestão", adianta o deputado parlamentar bloquista.

O Hospital de São José, em Fafe, no distrito de Braga, presta cuidados de saúde à população residente nos concelhos de Fafe, Cabeceiras de Basto e Celorico de Basto, num total de mais de 50 mil pessoas.

O governo PSD/CDS anunciou por diversas vezes a sua intenção de retirar este hospital da gestão pública entregando-a à Santa Casa da Misericórdia. No final de 2014, esse intento foi concretizado. O Bloco de Esquerda sempre discordou desta decisão, por considerar que esta transferência iria prejudicar os cuidados de saúde ali prestados e, consequentemente, a população servida por este hospital, o que se veio a concretizar, de facto. A título de exemplo, refira-se a situação ocorrida com mais de uma dezena de trabalhadores que a Santa casa da Misericórdia se recusou a integrar.
O Bloco de Esquerda questionou sucessivas vezes o Governo PSD/CDS sobre o valor das rendas pagas às Misericórdias mas estes dados nunca foram disponibilizados apesar das sucessivas e reiteradas insistências. O atual Governo indicou, por ano, que o estado paga mais de 4 milhões de euros em rendas de hospitais às Misericórdias.
A entrega de hospitais públicos à gestão privada das misericórdias não acautela o interesse público nem apresenta racional financeiro, como o próprio Governo reconheceu nos casos dos hospitais de Santo Tirso e de São João da Madeira.

A população de Fafe tem direito a ter um Hospital que permita dar a melhor resposta possível às suas necessidades e tal consegue-se com uma unidade hospitalar pública, gerida pelo setor público.

AnexoTamanho
18._pr_hospital_de_fafe_08.04.2016.pdf517.04 KB