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BE reclama mais e melhores condições no Hospital de Guimarães

O grupo parlamentar do Bloco de Esquerda apresentou, na Assembleia da República, um projeto de resolução com vista a recomendar ao Governo que dote o Hospital Nossa Senhora da Senhora da Oliveira, em Guimarães, das adequadas condições ao seu normal funcionamento.

O Hospital de Guimarães dá resposta a uma população de cerca de 350 mil pessoas dos concelhos de Guimarães, Fafe, Cabeceiras de Basto, Vizela e Mondim de Basto. Esta unidade hospitalar recebe também utentes referenciados de outros concelhos, designadamente Famalicão, Felgueiras e Celorico de Basto.

No documento entregue, o Bloco de Esquerda aponta vários constrangimentos no acesso aos cuidados hospitalares por parte desta população. Desde logo, “regista-se falta de profissionais, sejam médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar”. E ainda, “é necessário rejeitar o caminho da precarização e das empresas de trabalho temporário e proceder à contratação dos profissionais necessários ao normal funcionamento do hospital”.

Uma outra dificuldade apontada é o acesso a medicamentos de dispensa hospitalar, que “durante a vigência do Governo PSD/CDS os cortes impostos ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) fizeram com que os hospitais se deparassem com diversas dificuldades para conseguirem dispensar medicamentos nas doses previstas”. Por isso, o BE afirma que é “necessário garantir que os utentes têm acesso aos medicamentos de que necessitam”.

As condições das instalações hospitalares também foram alvo de críticas por parte do Bloco de Esquerda. De acordo com o BE, “não é aceitável que doentes internados numa unidade hospitalar sejam observados, lavados e vestidos nos corredores, sem a privacidade devida; não é concebível que doentes internados numa unidade hospitalar tenham que comer com o prato na mão”. É, portanto, “necessário que o Hospital de Guimarães possa ter as instalações consentâneas com as suas necessidades”, de forma a dar o “tratamento digno a que os doentes têm direito”. O BE destaca, também, o serviço de urgência, “que se encontra a funcionar num espaço pequeno demais, o que dificulta não só o trabalho dos profissionais como o atendimento dos utentes bem como seu direito ao acompanhamento”.

O Bloco de Esquerda aponta, ainda, “a herança nefasta que vem do Governo PSD/CDS: a Portaria n.º 82/2014, de 10 de abril que tem sido alvo de permanente contestação por parte dos autarcas, das populações e dos utentes dos serviços de saúde”.  Esta portaria pretende estabelecer os critérios que permitem categorizar os serviços e estabelecimentos do SNS, e pode levar, na prática, à redução da carteira de valências em vários hospitais. Uma vez que o Hospital de Guimarães está categorizado como pertencendo ao Grupo I (Centro Hospitalar do Alto Ave) o BE afirma que “é lícito concluir que esta Portaria poderia levar a uma diminuição significativa da carteira de valências, ao significar o encerramento, entre outras, de valências como a obstetrícia/ginecologia, cirurgia vascular, imunoalergologia ou anatomia patológica”.

Para o Bloco de Esquerda é imperioso “garantir o direito à saúde da população servida pelo Hospital de Guimarães, assim como a qualidade dos serviços públicos”. Para isso, a iniciativa legislativa do Bloco de Esquerda “garante que não se perderão valências nem será reduzida a carteira de serviços do Hospital; propõe as intervenções necessárias no edifício; assegura a disponibilização dos medicamentos de dispensa hospitalar e propõe a contratação dos profissionais necessários ao pleno funcionamento desta unidade de saúde”. 

 

O Projeto de Resolução pode ser consultado aqui.

 

Vê a entrevista ao deputado da AR, Pedro Soares, e ao deputado municipal no link abaixo:

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