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BE apela a consensos para aprovação do Estatuto de Cuidador Informal

O Bloco de Esquerda promoveu, na manhã deste sábado, em Braga, uma sessão pública sobre cuidados informais, para debater falta de respostas públicas para os cuidados aos portadores de doenças neurodegenerativas e o Estatuto de Cuidador/a Informal.

No encontro, o deputado do Bloco de Esquerda, José Soeiro, começou por enquadrar o tema em Portugal, realçando dados de estudo divulgado na sexta-feira, referindo que “o valor estimado de cuidadores informais ascende às 800 mil pessoas, na maioria mulheres e familiares da pessoa que é cuidada”.

Segundo José Soeiro, “apesar destes cuidados representarem um valor económico estimado  de 4 mil milhões, a maioria destas pessoas presta estes cuidados sem salário, aumentando o risco de pobreza destas famílias”. “Não existem apoios económicos, apoios logísticos e apoios à formação e os cuidados formais públicos são escassos”, criticou ainda o deputado.

Para o deputado bloquista a “conceção familiarista desresponsabiliza totalmente o estado desta função social”, pelo que apela a que no próximo dia 16 de Março, as restantes bancadas parlamentares apresentem propostas aquando da discussão do Projeto de Lei do Bloco de Esquerda, de forma a permitir o “aumento dos cuidados formais, conciliar os direitos dos cuidadores com as necessidades de quem é cuidado, a definição rigorosa do conceito de cuidador e a aprovação do Estatuto de Cuidador/a Informais, que articule alterações à legislação laboral, contabilização do tempo para efeitos de carreira contributiva, alargamento dos apoios sociais em montante e beneficiários, e o apoio aos cuidadores, como formação e direito ao descanso”.

Na sessão, Cristina Castro, cuidadora da mãe de 77 anos com doença de Alzheimer, partilhou emotivamente a sua experiência, realçando que os cuidadores estão “a dar a vida para garantir um final de vida digno”, apelando a que os governantes proporcionem “uma vida melhor para os cuidadores e para quem é cuidado”, exigindo “direito a folgas, para evitar fadiga e exaustão, apoios económicos e informação e formação médica básica”.

Marisa Matias, eurodeputada do Bloco de Esquerda, responsável pela iniciativa europeia em matéria de doença de Alzheimer e outras demências, afirmou a necessidade de “dar voz a quem não tem voz, porque está cansada ou exausta”, realçando a “luta difícil contra interesses instalados” devido à “dependência dos cuidados continuados das instituições privadas”. “Estes problemas sociais são problemas de todos, temos de acabar com esta hipocrisia coletiva e reafirmar as nossas opções políticas nesta matéria”, concluiu a eurodeputada.