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"Candidato-me pela transparência e contra a impunidade"

A campanha de Marisa Matias organizou esta quarta-feira mais um comício virtual, desta vez em Braga, seguido por milhares de pessoas nas redes sociais.

 

Marisa começou por dar uma “palavra de solidariedade com as famílias atingidas pelo luto e pela angústia nesta fase crítica da crise pandémica”.  “O cansaço que o país inteiro vive é um desafio à nossa resistência. Saúdo por isso todos aqueles que continuam a enfrentar o risco para que o país continue a ter acesso aos bens e serviços essenciais, bem como toda a população que está em casa protegendo-se a si e aos outros, como tem que ser nesta fase tão difícil”, explicou. 

Com uma intervenção centrada nas desigualdades e privilégios na economia e na sociedade portuguesa, Marisa lembrou que “o privilégio não é uma lei da vida. É um regime de desigualdade que se reproduz, dentro e fora das regras estabelecidas. Um regime que condena à pobreza, não só os mais pobres, mas todo um país, deixando a sua economia produtiva, os seus serviços públicos essenciais reféns dos interesses especulativos e predatórios”.

“Quando ouço Marcelo Rebelo de Sousa falar do problema das desigualdades sociais, sei que estamos a usar as mesmas palavras mas com significados muito diferentes”, disse. “Para mim, essas desigualdades não são uma inevitabilidade nem o fruto de meros erros de governação", mas sim "o centro do funcionamento da economia" num regime "que está sempre a produzir desigualdades”.

 

E não faltaram exemplos dessas desigualdades: administradores de grandes empresas, como a Jerónimo Martins, a ganharem 167 vezes mais que um trabalhador dessa mesma empresa. Ou "a Galp, que distribuiu mais de 500 milhões de euros em lucros aos acionistas enquanto varria do trabalho centenas de precários”. Uma economia que "produz desigualdades quando atira para os ombros da população o peso dos ajustamentos feitos em tempo de crise”, detalhou.  

“Mas o privilégio não vive só da desigualdade. Vive também da promiscuidade", patente nas portas giratórias dos governos para as grandes empresas:  "é Ferreira do Amaral das Obras Públicas para a Lusoponte; é Paulo Portas na Mota Engil; é Durão Barroso na Goldman Sachs; é um assessor pago pela EDP a escrever os decretos do ministro da energia Manuel Pinho, do PS; é Maria Luís Albuquerque passar de ministra da austeridade para administradora de um fundo abutre que faz os seus lucros a comprar e executar créditos mal parados; é Luís Amado a sair do Ministério dos Negócios Estrangeiros para a folha de pagamentos da EDP, onde sucedeu a outro ex-ministro". Ou seja, prossehuiu Marisa, "é a porta-giratória que não para de rodar e que, nos últimos quarenta anos, fez circular quase uma centena de responsáveis entre os cargos de governo e as administrações dos bancos”.

 

“O privilégio é um regime, é a regra e não a exceção", concluiu a candidata, lamentando que nunca haja uma maioria disposta a aprovar "uma proposta tão elementar como aplicar aos detentores de cargos políticos a obrigação de explicar o seu património de origem desconhecida. “No domingo, votamos também sobre isto", rematou, assumindo o seu combate "pela transparência e contra a impunidade”.

 

Francisco Ramos: "Marisa fez uma escolha clara ao colocar a Saúde como prioridade"

Por seu lado, o ex-secretário de Estado da Saúde do Partido Socialista, Francisco Ramos, disse em vídeo projetado no comício que “Marisa fez uma escolha clara desde o início da candidatura: colocar a Saúde como prioridade, como tema a debater, sobretudo nestes tempos. Fez a escolha certa. A Saúde é a nossa prioridade. Assim como fez a escolha certa que o Sistema de Saúde é o Serviço Nacional de Saúde”.

“Ao longo desta pandemia, é também o SNS que tem estado ao nosso lado. Que tem protegido e acolhido aqueles de que mais precisam. Sem nunca regatear o apoio indispensável para todos”, continuou por dizer.

“Protegê-lo no futuro, continuar essa caminha, é isso que Marisa Matias tem feito ao longo desta campanha. Por isso a minha escolha é muito clara”, concluiu.

Mariana Mortágua: "Cá estaremos na segunda-feira para proteger o SNS"

Por seu lado, Mariana Mortágua relembrou que,  “até hoje, no pico da crise sanitária, Marcelo continua a tentar travar a requisição a preço do custo dos serviços privados de Saúde para reforçar o SNS”.

“É desta gula que temos de proteger o SNS. Porque não falta quem o queira desmantelar e entregar ao grande negócio”, explicou.

Se as eleições presidenciais terminam no dia próximo dia 24, “o SNS estará cá no dia 25. E precisa de quem lute por ele. Cá estaremos na segunda-feira para proteger o SNS. Essa é a luta de impedir que o grande negócio domine todas as esferas de escolha coletiva”, concluiu.