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Para quando o Ecoparque de Barcelos?

Depois de termos visitado a captação de água e respetiva estação de tratamento da Águas do Norte, em Areias de Vilar/Barcelos, que abastece 8 municípios e cerca de 800 mil habitantes, tivemos o privilégio de percorrer um troço do Rio Cávado, a jusante da Barragem de Penide, guiados por Armando Carvalho, um dos grandes conhecedores e defensores daquele rio.

O percurso pelas Lagoas de Caíde, na margem esquerda e a cerca de 8 km a montante da cidade de Barcelos, revelou-nos um verdadeiro tesouro ambiental. Com origem numa exploração de inertes ativa até aos anos 80, o rio acabou por ocupar toda aquela área, talvez com uns 50 hectares, e a natureza encarregou-se de a regenerar criando um novo sistema ecológico de grande valor ambiental e paisagístico.

A importância daquela área estende-se a uma significativa avifauna que já a utiliza como ponto de apoio nas suas migrações. Constitui uma verdadeira segunda oportunidade dada pela natureza que não podemos desperdiçar. O seu valor intrínseco é evidente, mas a preservação em termos ecológicos e ambientais daquele espaço também é determinante para a própria qualidade da água que é captada para abastecimento humano.

Para além do valoroso trabalho de retirada das infestantes, como o jacinto de água, e da limpeza das margens e do leito que tem sido levado a cabo pelas corporações de bombeiros de Barcelinhos e de Barcelos, é urgente que o Município de Barcelos avance para a classificação das Lagoas de Caídes e a criação de um Ecoparque que proceda ao ordenamento e proteção daquele território.

É certo que o corredor ecológico do Cávado, incluído na Estrutura Ecológica Integrada do PDM de Barcelos, é definido por uma faixa 250m para cada lado do eixo do rio. Porém, é necessário que as Lagoas de Caídes sejam entendidas como um sistema próprio, que desenvolveu um habitat de comunidades de flora e fauna de elevada sensibilidade ecológica, e não apenas como um corredor de ligação linear.

A par desta preocupação, é fundamental que o Município e a Águas de Barcelos resolvam a situação incompreensível da nova ETAR de Areias de Vilar. Construída em 2009, com um investimento de aproximadamente 10 milhões de euros, continua sem entrar em operação. Devia já ter substituído a velha ETAR de Areias de Vilar, bem como as ETAR  provisórias de Areias de S. Vicente e da Ucha, que se encontram a funcionar mal e acima das suas capacidades, situação que já tem originado descargas de efluentes não tratados para o Cávado.

A qualidade da massa de água do Cávado está avaliada como apenas “razoável” quando, no mínimo, devia ser “boa”. Se agora, com chuvas mais frequentes e o esforço dos bombeiros, o problema fica disfarçado, basta ocorrer uma diminuição do caudal, como acontece naturalmente no estio, para que as infestantes cubram extensamente a superfície do rio, indicando claramente como afinal o problema da poluição subsiste.

Afinal, para quando a criação do Ecoparque das Lagoas de Caídes e a entrada em funcionamento da nova ETAR de Areias de Vilar?