Sabem-se finalmente os resultados da sétima avaliação da troika. A avaliação, que se afirma positiva na primeira linha, não esconde, e pelo contrário revela com uma nitidez exemplar, o falhanço do governo e da troika. Mais desemprego, mais recessão, mais pobreza. Um desastre. E a resposta que o governo propõe ao desastre é mais desastre: despedimentos e cortes. Chamam-lhe ajustamento. Sabemos que é empobrecer.
Vítor Gaspar propõe mais de uma década de austeridade. Que avós vivam pior hoje para construir um futuro em que filhos vivem pior do que os pais viveram, os netos pior que os avós. É a destruição da democracia. O ministro que fala vagarosamente e erra depressa – três previsões em três meses e sempre a descer – propõe a ditadura do empobrecimento.
O PSD veio dizer que o problema é um memorando mal construído. Esquecendo que Catroga também o desenhou. Querendo que esqueçamos o que bradaram entes dois anos: “ir além do memorando”. Não esquecemos. Sabemos que não é defeito, é feitio.
O Governo de direita, com a teimosia fanática do empobrecimento e a recusa cega da inevitabilidade da dívida, tudo o que propõe é “endividar para empobrecer”. Uma expressão certeira que lembra um outro discurso.
Sabem quem acusou um governo de “endividar para empobrecer” e afirmou “Um ano depois, Portugal tem o maior endividamento de sempre, a maior carga fiscal de sempre, a maior despesa pública de sempre, o maior desemprego de sempre”? Foi Paulo Portas, em 2010. Três anos depois deste discurso, e com quase dois anos de governo PSD/CDS, o endividamento aumentou 50 mil milhões de euros, subiu o IVA, o IMI, o IRS em 30%, o desemprego aumentou em 400 mil.
Quem fez este discurso não pode esconder-se dos resultados de mais uma avaliação desastrosa a inaugurar ginásios a milhares de quilómetros. Há limites para o cinismo político. Paulo Portas tem de demitir-se. E com ele, tem de demitir-se o Primeiro-Ministro e o Governo.
Nesse discurso de 2010, Paulo Portas afirmava que tempos excecionais exigem soluções excecionais: “um governo que se preocupasse a sério com o endividamento, que promovesse o crescimento da economia.” Tinha razão. Hoje Portugal precisa de um governo capaz de enfrentar a troika, renegociar a dívida e investir no crescimento da economia. O apelo que fez em 2010 serve hoje como uma luva ao governo de que faz parte: “Demitam-se. O país apreciaria este gesto de patriotismo”.