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“Ou Portugal ou a troika”

Francisco Louçã em Braga

“Portugal está a ser assaltado por dentro e por fora, pela troika e pelo sistema financeiro português”, afirmou Francisco Louçã, numa sessão pública este fim de semana em Braga, que fez encher o auditório da Junta de freguesia de S.Victor.

O coordenador do BE desmontou o discurso do governo lembrando que a austeridade não levou à redução da dívida e do défice, e que a única solução é romper com o memorando da troika: “Cortar com a dívida é a única forma de salvar a economia, como já o fizeram no passado outros países, incluindo a Alemanha”.

Francisco Louçã desmentiu também que a denúncia do memorando nos conduza aos caos, como tem sido apregoado pelo governo, ao afirmar que “nós temos dinheiro para pagar salários e pensões, não temos é dinheiro para pagar a dívida”, defendendo por isso a renegociação da dívida e dos juros, ou uma moratória ao pagamento da dívida.

A emergência de uma mudança foi por várias vezes sublinhada por Francisco Louçã que considerou ser “desesperadamente importante que haja um governo de esquerda”, enumerando as condições do Bloco de Esquerda para o integrar: romper com a troika, defender o salário e o emprego, cortar na dívida e controlar publicamente o crédito.

Para Francisco Louçã, “a banca portuguesa está a jogar contra Portugal, porque não está a pôr dinheiro na economia, mas está a pôr dinheiro na compra da dívida portuguesa nos mercados secundários”, concluindo que a “única resposta é a luta”.

Mostrando-se indignado com o anúncio do governo de cortar no Estado Social, Louçã afirmou que "não aceitamos a vergonha, a humilhação nacional, que é ver esses senhores de fato cinzento e gravata azul do FMI, do Durão Barroso, do Banco Central Europeu, a imporem cortes na educação, saúde e segurança social” e considerou uma “cobardia dizer que são os senhores da troika que mandam fazer estes cortes”.

As propostas de alteração ao orçamento de Estado foram também enumeradas durante o debate e, segundo Louçã têm como objetivo tornar o sistema de fiscal mais justo, nomeadamente através do escalonamento dos impostos, como o IMI e o IRC e o aumento da carga fiscal para operações financeiras como a transferência de capitais.

Confrontado com o tempo que demorará a queda deste governo, Louçã considerou que vai depender “da pressão política e da pressão popular” e lembrou que no 15 de Setembro conseguimos acabar com a redução da TSU para exortar à participação na Greve Geral europeia, e na receção à chanceler alemã, que visita Portugal no próximo dia 12.

Mostrando-se descrente de qualquer iniciativa do Presidente da república que, na sua opinião “vai continuar sentado em Belém cheio de medo” e rejeitando o calculismo do PS, que quer esperar até às eleições de 2015 “para isto apodrecer devagarinho”, Francisco Louçã reafirmou que, “o que não podemos é esperar” e que daqui a um ano, “não estaremos a falar do partido A ou B, a luta vai ser ou Portugal ou a troika”.

Pedro Soares, ex-deputado do BE, relembrou alguns números negros da crise, com incidência particular no Distrito de Braga, onde o desemprego, o fecho de empresas e a desproteção social  estão a tornar-se numa mistura explosiva, que só pode ter como resposta a luta.

Notícia na RTP

Notícia na SIC Notícias