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Greve em Braga com «adesão histórica», diz União de Sindicatos

Concentração em Braga
Imagem: Adelino Mota

Segundo dados fornecidos à Lusa pelo Sindicato de Professores do Norte (SPN), há um número "significativo" de escolas fechadas no distrito, desde infantários a escolas secundárias, com unidades escolares a registarem 100 % de adesão.

Em declarações à Lusa, o coordenador da USB, Joaquim Daniel, afirmou que esta ação de luta está a ser "fortemente participada", porque os trabalhadores estão cansados e com "isposição para o protesto.

Nas cidades de Braga e Barcelos, a adesão por parte dos trabalhadores que tratam da recolha do lixo foi de "100 por cento" e, em Famalicão, houve também uma adesão "significativa", segundo a USB.

"Os números da adesão à greve de hoje ultrapassam largamente os números de todas as greves gerais dos últimos anos", afirmou Joaquim Daniel.

 

Segundo o sindicalista, esta "adesão histórica" tem explicação no descontentamento dos trabalhadores: "Há uma grande predisposição das pessoas e dos trabalhadores para o protesto, porque a população está cansada de sacrifícios e injustiças".

Quanto a escolas, o SPN disse ser ainda cedo para um balanço geral mas, segundo a responsável Júlia Vale, "os números conhecidos são animadores e demonstram o descontentamento dos profissionais das escolas".

Estão encerradas escolas em Guimarães, Braga, Barcelos, Póvoa de Lanhoso e Vizela, "não só pela adesão de professores e funcionários das escolas, mas também porque há escolas cujas empresas de fornecimento de refeições aderiram à greve, não havendo assim almoços para os estudantes".

Além do setor público, Joaquim Daniel apontou uma "fortíssima adesão" em empresas do setor privado.

"No complexo da Grundig (Braga), a paralisação é praticamente total desde o turno da manhã. Há grandes têxteis paradas em Famalicão e empresas com menos porte que também não estão a trabalhar", disse.

Para as 15:00 está marcada uma concentração nos centros de Braga e de Guimarães, para as quais o coordenador da USB espera "grande mobilização".

Pela cidade de Braga, os efeitos da greve são visíveis: há lixo nas ruas, contentores cheios e o carteiro não tocou a nenhuma campainha, o que não agradou a todos os bracarenses.

"Estava à espera de uma carta da Segurança Social muito importante. Eu entendo a greve, mas podia era ser amanhã", explicou à Lusa António Salvado, recém-desempregado que espera os "papéis para meter” o subsídio de desemprego.

"Talvez cheguem amanhã", disse.

Via: Diário Digital