Em Agosto o país foi a banhos. Mergulhou no abismo do BES e adubou o azedume fratricida dos “Tones” do PS. Em Setembro com as colheitas chegam as desfeitas. O embusteiro Marinho sai da Europa e passa de contra a fazedor de partido desprezando quem o elegeu. O Moedas vai para a Europa gerir uma “pipa de massa” para acabar com os dinheiros na investigação. É o Portugal da vanguarda, no fulgor expansionista destes políticos de cartilha.
O Novo Banco rapidamente se transformou num velho problema com o resultado do costume. Limpa-se o banco com dinheiro público para o poder vender a preço de saldo a privados. Não se lembram do drástico caso BPN? Pois, candidamente e só para que ninguém se esqueça, aqui temos uma nova versão a quintuplicar os valores. Sai administração que se julgava de Bento em popa entra uma presidência de Stock com missão liquidatária. Acresce salientar a triste figura de Figuras de Estado. Troca de insinuações entre Presidente e Primeiro-ministro. Um duvidou da veracidade da informação do governo, o outro diz que Cavaco teve oportunidade de colocar todas as questões e nada disse. E o povo pá! Que se entretenha a ouvir a lengalenga dos comentadores de regime enquanto empobrece.
Insultos, traições, falcatruas, ameaças e desforras. Representações de marca desta malévola linhagem PS. Enxovalham-se pelo país contaminando acólitos que se gladiam por lugares. Tão amigos que nós eramos. Os debates entre Seguro e Costa só serviram para atiçar a fogueira. Deplorável imagem de quem por pedantismo se autointitula futuro 1º ministro. Enclausurados na guerra pessoal destilaram o acervo de afrontas e ódios com tempos de entrada e resposta taticamente definidos. Sobre o défice, os salários, as pensões, o emprego - NADA. Quanto a ideias, propostas, alternativas para o país, estão ambos em sintonia – NÃO TÊM. Podemos concluir que faz sentido a inscrição de falecidos nos cadernos eleitorais, dado que os candidatos politicamente fazem de mortos.
Paladino da verdade, inflexível pela honra, íntegro pela fidelidade à palavra e à atitude! Justiceiro do povo!
Aqui temos alguém em que se pode confiar, que lhes diz as verdades, que vai meter na cadeia os corruptos, que não quer tachos nem favores, que não é um troca-tintas. Foi com este populismo demagógico que Marinho Pinto, fazendo do MPT barriga de aluguer, se apresentou aos portugueses para ir para a Europa. Interessante o percurso pós eleitoral. Três meses depois diz que quer sair do PE para concorrer às legislativas com o ardiloso argumento de que os problemas nacionais são mais graves que os europeus, como se o país não estivesse subjugado a Bruxelas, leia-se Merkel. De seguida manifesta intenção de se candidatar às presidenciais, porventura em nome dos portugueses que deixaram de acreditar nele. Ainda tem a desfaçatez de afirmar que não defraudou as expetativas de quem nele votou porque continua na luta, só que mudou de trincheira. Treta de “chico-esperto” que ziguezagueia pelo trilho das conveniências, ocultando-se num manto espesso de banalidades e prédica de circunstância com auréola sebastianista. E agora a estocada final na réstia de credibilidade politica. Anuncia que vai formar um partido atraiçoando o partido que o elegeu. Para quem fez da campanha uma cruzada contra os partidos, está em conformidade! É a coerência dos incoerentes que cavalgam o desespero e a desesperança com falaciosos discursos de palavras vãs. Este populismo é reacionário, é perigoso para a democracia e promove o culto da personalidade, próprio das tiranias.
É sempre importante termos Moedas para a troca. Pasta politicamente nula, escolha por exclusão de partes, consensos de proveitos na matriz da economia liberal. Então cá temos um Comissário para a Investigação, Inovação e Ciência do qual não se lhe conhece uma ideia que seja sobre a matéria. Como interlocutor com a Troika foi um lacaio exemplar; o governo que representa tem provas dadas no combate à ciência e ao ensino superior; foi gestor de projetos para o grupo Suez com a inovação de privatizar as águas; vindo da Goldman Sachs é moço de recados dos interesses da finança que suprimem a investigação. Currículo perfeitamente ajustado aos objetivos desta U E. Qualquer pasta lhe assenta como uma luva. Esta figura encaixa no perfil dos que julgam a austeridade como triagem económica dos países e como purificador social dos povos. Assim se constrói um modelo de sociedade alicerçado na competitividade individual, impulsionado pela desregulação e desmantelamento dos direitos coletivos, onde a ciência e a investigação estão reféns das leis do mercado e dos interesses da especulação financeira. É a desconstrução da Europa social.
É preciso despertar, juntar forças e inflamar a luta contra este "califado" ocidental, que embrulhado em modos mansos e mascarado com generosos benefícios, tem propósitos de terrorismo social. Ou nos organizamos e combatemos por alternativas, ou somos açambarcados pelo rolo compressor desta trituração financeira. O tempo é de opções e das escolhas de hoje depende o futuro das nossas vidas.