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Uma mão cheia de nada...

A um ano das eleições autárquicas, o PS local, com a abstenção do PSD e do CDS e os votos contra dos três deputados do Bloco de Esquerda e do deputado da CDU, aprovou, nos finais de Novembro, em Assembleia Municipal, o Plano de Atividades e Orçamento para 2013.

Trata-se de um documento vazio, um documento sem esperança para os cidadãos do nosso Concelho.

Para além do anúncio de meia dúzia de obras de que Barcelos precisaria, mas para as quais não estão previstas verbas do lado da despesa, o que significa que este executivo não tenciona gastar um cêntimo que seja na sua execução no próximo ano. E de outras obras remetidas para o domínio do projeto ou da candidatura ao QREN, a Câmara socialista não apresenta obra nenhuma, nem como realizada, nem a realizar.

Sendo mais preciso, os socialistas reabrirão – todos desejamos – o Teatro Gil Vicente e o Museu de Olaria, obras que não são suas como se sabe, e remodelarão a Torre de Menagem, verdadeiramente, de facto, a sua
única obra.

Os centros escolares, onde foram investidos mais de 20 milhões de euros, comparticipados em 85% pela União Europeia, são uma obra de duvidosa oportunidade, duplicando, em muitos casos, obras já realizadas anteriormente, nos edifícios escolares existentes. A coroa de glória deste executivo socialista é a gestão do passivo financeiro criado pelo PSD ao longo das décadas em que esteve à frente da Câmara. Mas isso é muito pouco e mais uma vez de duvidosa oportunidade.

O PS sacrificou o investimento municipal em favor do abate das dívidas, numa altura em que ele era mais preciso para relançar a economia e não agravar a recessão e o crescimento do desemprego que se verifica no nosso Concelho e no nosso país.

As Câmaras existem para servir a população e administrar da melhor forma os bens do município. Ora, esta Câmara não é isso que faz.

Na apresentação pública do Plano e Orçamento, o presidente da Câmara, Miguel Costa Gomes, anunciou que o seu executivo segue uma política de “impostos baixos”. Mas a verdade é que numa época de impostos tão altos, poderia ter optado pela mais baixa taxa de IMI, 0,3%, e não o fez. Podia ter abdicado dos 5% de IRS, a que tem direito, em favor dos munícipes e não o fez.

A Câmara tem de intervir decidida e ousadamente na vida económica e social do Concelho. Não pode ficar indiferente perante o fecho sucessivo de dezenas de empresas têxteis. Deve intervir incentivando o investimento para proteger o emprego.

Não pode ficar de braços cruzados perante o declínio e abandono da agricultura no Concelho. Há muito que falamos na criação de hortas urbanas que poderão ajudar algumas famílias a minorar as dificuldades dos seus agregados. A Câmara deve encorajar a criação de um banco de terras e zelar pela preservação e ordenamento da floresta concelhia de modo a que a atividade agrícola e florestal, volte a ter um maior peso na economia e no emprego do Concelho e não se repita anualmente a tragédia dos incêndios com os graves prejuízos materiais e ambientais que acarretam.

A Câmara tem de ter um papel importante na criação de condições para que o comércio local não se afunde com esta política austeritária que já diminuiu, drasticamente, o poder de compra dos portugueses, comprometendo o sector.

O turismo e o artesanato devem ser articulados e complementares para que, apoiando-se mutuamente, possam desenvolver-se criando riqueza, emprego e património. A cultura para além de ser um bem essencial, pode ser um negócio lucrativo que rentabilize muito do potencial humano e construído que Barcelos possui.

É tempo de se reabilitar o centro histórico da cidade, criando condições para que seja de novo habitado e rejuvenescido.

A Câmara deve optar pela ação e não pela inação, fomentando a produção de riqueza e o emprego, gerando recursos para desenvolver o Concelho, melhorar a qualidade de vida da população e acorrer às suas necessidadese dificuldades.

Crónica publicada no jornal Barcelos Popular