O artista Aureliano Aguiar, autor da obra “Dragão”, exposta em frente ao Jardim de Santa Bárbara, em Braga, anunciou publicamente que a Câmara Municipal de Braga (CMB), “chegada a altura de efetuar algumas obras de manutenção da mesma” e face à questão de a edilidade ter “ algum interesse em adquirir uma obra que já é um ícone da cidade”, obteve uma resposta inacreditável: "o senhor tem 30 dias para retirar a peça do lugar onde se encontra".
Uma Câmara que permite e protege a construção de um mamarracho para um supermercado no centro histórico da cidade, trata com o maior desprezo e arrogância uma escultura e o artista que a concebe e executa.
Quando agentes políticos tratam obras de arte pior do que tratariam obras de construção civil potencialmente ilegais, fica quase tudo dito sobre o nível e a responsabilidade cultural desses autarcas.
O vereador com o pelouro da gestão e conservação do espaço público da CMB, justificou-se referindo que Aureliano Aguiar teria pedido 50 mil euros pelas obras.
É assim, o vereador ouviu falar em cultura e quase puxou da pistola. Investir em cultura e na qualidade do espaço público? Nunca!
Antes gastar o dinheiro dos contribuintes em festas do tipo “corrida do porco preto” ou em estátuas patetas do imperador César Augusto.
Uma coisa é certa. Se Aureliano Aguiar tiver de retirar a escultura do Jardim de Santa Bárbara, a cidade ficará mais pobre.