O Bloco de Esquerda, promoveu o DESBLOQUEIA-TE, um espaço de debate sobre feminismo, alterações climáticas, populismo, legalização das drogas, e liberdade na internet. No encontro realizado no Barhaus, em Braga, os jovens do Bloco de Esquerda quiserem aprofundar a discussão em torno de bandeiras do partido desde a sua fundação, como direitos humanos e sociais.
José Gusmão, segundo candidato ao Parlamento Europeu, começou por esclarecer o impacto que a legislação europeia têm na legislação portuguesa e a complexidade das leis de direitos de autor. O economista afirmou que “a liberdade na internet poderá estar comprometida com entrada em vigor do artigo 13”, uma vez que “as empresas utilizarão filtros automáticos para identificar plágio de conteúdos, não sendo capaz de separar conteúdos de humor ou sátira, por exemplo”. Por isso, o dirigente bloquista mostra-se contra esta medida, por “beneficiar apenas as gigantes tecnológicas que geram grande parte do conteúdo online”.
Sobre a legalização das drogas, Bruno Maia, médico, fez um enquadramento das leis proibicionistas no mundo e esclareceu que a proibição não é sustentada em qualquer característica da substância e referiu que “ao contrário do álcool e do tabaco, legal e socialmente aceites, a cannabis não tem substancias nocivas, não causa dependência e apresenta ainda capacidades terapêuticas, como o CBD, muito utilizado para a redução de ataques epiléticos em crianças”.
Para compreender o fenómeno do populismo, António Cruz Mendes, professor, apresentou a realidade europeia, onde partidos populistas têm assento no parlamento na Alemanha, França, Holanda, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Eslováquia e República Checa, ou fazem parte do governo na Itália, Áustria, Hungria e Bulgária. Depois de lançado o debate aos presentes, sobre se Portugal estaria imune a este fenómeno, a opinião foi unânime e, em Portugal, apesar de já haver derivas populistas em alguns partidos, mais tarde ou mais cedo surgirá um movimento semelhante.
No jantar do vigésimo aniversário do Bloco de Esquerda, Ana Rute Marcelino, candidata ao Parlamento Europeu, realçou a importância da candidatura e apresentou os pilares: pleno emprego, sustentabilidade ambiental e estado social.
O encontro terminou com Fado Bicha. O concerto de estreia no norte realizou-se para uma plateia cheia, que vibrou com aquela atuação carregada das emoções e das vivências das pessoas transgênero em Portugal.