O Bloco de Esquerda promoveu, na tarde desta terça-feira, uma sessão pública sobre a situação política na Catalunha, com a presença de Isabel Pires, deputada do Bloco de Esquerda à Assembleia da República, Claire Tour, representante da Assembleia Nacional Catalã, e moderação de Carlos Machado, mestrando em Relações Internacionais na Universidade do Minho.
Na sessão que decorreu no Bar Pão de Forma, em Braga, Isabel Pires referiu o comprometimento do Bloco de Esquerda no apoio à autodeterminação dos povos e em dar visibilidade internacional à situação Catalã, tendo proposto um voto de condenação à violência policial na Assembleia da República, que foi aprovado.
A deputada denuncia o “silencio da comunidade internacional” em relação à violência exercida sobre manifestantes, que já causou vários feridos , alguns com sequelas graves, como cegueira. “Se aqueles acontecimentos fossem fora do território europeu, seriam condenáveis por toda a gente, como não é, os líderes europeus dizem que é um problema interno de Espanha”, acrescenta.
Para a bloquista, o julgamento e as condenações foi possível pelo atropelo dos direitos humanos e pelo Código Penal que prevê condenações por sedição, ao contrário dos restantes códigos penais a nível europeu. “A existência do crime de sedição permite a condenação de opositores políticos e, no limite, não permitira nenhuma revolução popular que objetivasse o progresso das sociedades”, refere a deputada.
A representante da Assembleia Nacional Catalã afirma que, desde a fundação, em Espanha, apesar da Constituição prever várias nacionalidades, “há tentativas de unificar e eliminar as regiões”, lamentando o comportamento dos serviços policiais que promovem “invasões e buscas sem mandato a sedes de associações, partidos e casas de ativistas da causa independentista”.
Claire Tour esclareceu que o catalanismo tem muitos anos e que o Dia Nacional da Catalunha é comemorado a 11 de Setembro, recordando a resistência catalã durante o Cerco de Barcelona, terminado a 11 de setembro de 1714, e relembrou que, em 2005, foram criados os Estatutos de Autonomia da Catalunha, aprovados na assembleia catalã e na assembleia nacional, tendo sido, em 2010, chumbados pelo Tribunal Constitucional a pedido do Partido Popular.
“Sentiu-se um quebra enorme na confiança da população nas instituições”, refere.
“Se tivesse havido um referendo em 2010, o não teria ganho, mas a vontade de independência tem aumentado devido à ausência de negociação por parte do estado central”, afirma Claire e acrescenta que “neste momento não é possível soluções bilaterais porque não há diálogo”.
A ativista acompanha ainda a Amnistia Internacional, que considera ilegal a prisão de Jordi Sànchez e Jordi Cuixart, líderes de associações cívicas catalãs, uma vez que esta condenação “viola a liberdade de expressão e de reunião pacífica”.
Recorde-se que a Assembleia Nacional Catalã é uma organização popular, unitária, plural e democrática que tem como objetivo recuperar a independência política da Catalunha mediante a constituição de um estado de direito, democrático e social.