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Bloco questiona Governo sobre fusão dos hospitais de Guimarães, Famalicão e Barcelos

Numa visita decorrida ao Hospital de Guimarães, o Ministro da Saúde Paulo Macedo apontou a possibilidade dos hospitais de Guimarães, Famalicão e Barcelos poderem fundir-se num centro hospitalar, estratégia que supostamente contribuiria para evitar a perda de valências.

Uma proposta deste teor não pode ser encarada de ânimo leve: ela implica um conjunto profundo de alterações que necessitam de intensa e apurada reflexão não só no que concerne ao funcionamento destas unidades hospitalares, mas também quanto à reorganização de serviços e valências, afetação de profissionais e deslocação de utentes para consultas, internamento ou realização de meios complementares de diagnóstico e terapêutica.

Estas três unidades hospitalares dão resposta a uma população de mais de 500 mil pessoas.

Acresce que a distância entre estas unidades hospitalares não é negligenciável. De facto, Guimarães e Famalicão distam 32 quilómetros, Famalicão e Barcelos estão separadas por 20 quilómetros enquanto Guimarães e Barcelos estão à distância de 41 quilómetros, sendo que a rede de transportes públicos entre o centro destas localidades é deficitária. Se tivermos em conta que as pessoas têm ainda que se deslocar de zonas adjacentes para o centro da cidade para depois se deslocarem para o hospital onde terão acesso a outras valências poderemos estar perante cenários onde o acesso a cuidados de saúde é manifestamente dificultado. Vejamos por exemplo o caso de uma pessoa residente em Celorico de Basto que, se tiver que ir a Barcelos, tem que percorrer 80 quilómetros, o que demorará um pouco mais de uma hora de carro particular. De transportes públicos será uma viagem ainda mais difícil.

Perante o exposto, o Bloco de Esquerda considera fundamental que o Governo clarifique qual a sua intenção relativamente ao futuro destas três unidades hospitalares. Uma proposta desta dimensão, com consequências avassaladoras para as populações, para os profissionais bem como para os serviços de saúde prestados a nível hospitalares, necessita de toda a clareza, frontalidade e transparência na sua discussão.

Assim, o Bloco de Esquerda questiona o Governo no sentido de saber se:

1.O Governo equaciona de facto a possibilidade de fundir os hospitais de Guimarães, Famalicão e Barcelos num centro hospitalar?

2. Em caso de resposta afirmativa, quais os motivos que justificam esta possibilidade? O Governo considera exequível assegurar a complementaridade necessária entre unidades hospitalares de um centro hospitalar perante três hospitais que servem uma população de cerca de 500 mil pessoas e que se situam a distâncias consideráveis entre si?

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